SISTEMA DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS - SPDA

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Supercâmera lenta grava imagens raras de raios ascendentes em SP

A olho nu a imagem apareceria apenas um flash. Em vez de vir da nuvem, descarga elétrica sai de estruturas metálicas em lugares altos.





São os chamados raios ascendentes, produzidos, geralmente, por estruturas metálicas que ficam em lugares muito altos, um fenômeno que tem a ver com a urbanização.
Pesquisadores brasileiros já registraram quase cem vezes esse fenômeno no ponto mais alto de São Paulo.
Você já deve ter visto algumas vezes cenas de tempestades e raios. Afinal, o Brasil é o país onde mais caem raios no mundo. São mais de 50 milhões de descargas elétricas por ano.
O registro de um raio ascendente é uma imagem rara feita com a ajuda de uma supercâmera lenta pelo grupo de eletricidade atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe. A olho nu, pareceria apenas um flash.
“Ao contrário da maioria, eles sobem, não descem. São poucos os que sobem porque, para subir, ele precisa partir de uma estrutura alta. Torres de telecomunicações, prédio arranha-céus ou mesmo torres de transmissão de energia”, explica o pesquisador do Inpe Marcelo Saba.
“A descarga, em vez de vir da nuvem, sai da ponta de estruturas. Ela produz raio para cima, “ completa.
Para que isso aconteça, é preciso que, durante a tempestade, haja uma perturbação dentro das nuvens, criando um excesso de cargas negativas. Esse excesso vai atrair as cargas positivas das estruturas. Ora diretamente, ora através dos raios que caem por perto.
Para estudar esse tipo de fenômeno, os pesquisadores do Inpe escolheram um lugar alto.
O pico do Jaraguá, o ponto mais alto da cidade de São Paulo, tem 1135 metros do nível do mar. Uma torre ali é o principal ponto de observação e registro dos raios ascendentes.
“Nós observamos um mapa da incidência de raios em São Paulo e vimos que o pico do Jaraguá havia uma ocorrência de raios bem maior. Então, nós viemosi, colocamos as nossas câmeras e começamos a observar a torre”, diz o pesquisador.
O estudo começou há cerca de três anos. De lá para cá, já foram registrados quase 90 raios ascendentes no local.
“Esses raios acontecem sempre no mesmo lugar. Então, o estresse que esses raios produzem nessas estruturas é muito maior que os raios descendentes”, diz.
Causa algum perigo para as pessoas?
“Se você está longe de uma estrutura alta, você está seguro”, conta Marcelo Saba.
Mas, quando ocorrem em torres transmissão de energia, por exemplo, podem até causar apagões.
“Os raios que descem, a gente chama de fenômeno natural. Os raios que sobem, eles não aconteceriam se o homem não tivesse colocado ali uma estrutura alta. E aí, bastou passar uma tempestade por cima para fazer esse raio acontecer”, afirma Marcelo Saba.
Fantástico: Então, é um fenômeno urbano?
Marcelo: É um fenômeno urbano.
Enquanto pesquisava os raios ascendentes, a equipe de cientistas brasileiros conseguiu um registro inédito, também com a ajuda da supercâmera lenta.
Na cena, raios normais caem das nuvens. Mas, antes de chegarem ao solo, outros dois saem de para-raios que estão em cima dos prédios e vão em direção a eles. São os chamados raios conectantes. Ao se encontrarem com os raios descendentes, tudo vira um risco de luz no céu até desaparecer. A imagem é linda e revela o funcionamento dos para-raios.
“O para-raio lança uma descarga em direção àquela que está descendo. Vem em direção à sua casa, o para-raios não fica esperando. Ele vai buscar esse raio, conectar com ele, trazer ele, a descarga, para o para-raio. Salva a casa, o edifício. É a primeira vez que a gente observa um para-raios atuando numa resolução de 20 mil imagens por segundo”.
E para registrar todos os tipos de raio, é preciso passar horas esperando por tempestades.
“Não tem sábado, não tem domingo, não tem feriado. Véspera de ano novo já fiquei filmando. Já fiquei mais de 36 horas filmando direto”, conta o fotógrafo Benny Lie
E, no futuro, essa observação pode ajudar. “Talvez, as normas que nós utilizamos para nos proteger, o conhecimento que a gente tem para se proteger dos raios que descem não seja válido para os raios que sobem. Queremos conhecer para poder nos preparar contra eles”, finaliza o professor do Inpe.

Alta incidência de raios requer manutenção constante de para-raios


Segundo o Elat, foram registradas 2.149 descargas atmosféricas na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e 1.100 em São José dos Campos (SP)

Clipping/Procobre


SXC.hu

Nos últimos dias, cidades do sudeste do Brasil como Rio de Janeiro, São Paulo e São José dos Campos, registraram um número considerável de descargas atmosféricas. 

Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foram registradas 2.149 descargas atmosféricas na capital carioca em um período de 4 horas e mais de 1.100 em São José dos Campos (SP). 


O Elat divulgou estudo recente revelando que, em média, 132 pessoas por ano no Brasil são vítimas de raios que ferem gravemente e podem levar a óbito. Mortes deste tipo podem ser evitadas se as pessoas tiverem mais conhecimento sobre os riscos envolvendo raios elétricos. 


Diante disso, o Programa Casa Segura, que busca levar informações sobre a necessidade de adequação das instalações elétricas nas residências, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre), decidiu ampliar o número de alertas e campanhas para que se faça a manutenção adequada de casas e edifícios. 

De acordo com o engenheiro eletricista e consultor do Procobre, Hilton Moreno, edifícios localizados em região com maior concentração de raios devem instalar e fazer manutenção periódica dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), popularmente conhecidos como pára-raios. 

“O custo de um para-raio é quase desprezível em relação ao valor da construção de um imóvel, é uma medida de segurança que deve ser implantada e fiscalizada pelo menos uma vez ao ano”, explica. 

O sistema protege diretamente a estrutura do edifício e indiretamente os moradores contra as descargas elétricas no momento de uma queda de raio. Já os aparelhos eletrônicos não são protegidos pelo para-raio, pois normalmente a descarga elétrica que causa danos a esses equipamentos vem pelas redes de distribuição das concessionárias. 

Por isso, além do pára-raios, é preciso avaliar se a instalação do sistema de aterramento do imóvel está correta e, em casos de edificações antigas, se este sistema existe. 

Para completar a segurança contra queimas de aparelhos, é muito importante também a instalação dos chamados dispositivos protetores de surtos (DPS). 

Hoje, a maioria dos municípios brasileiros possui normas que regulamentam as construções para a instalação correta de meios de proteção contra raios.

A fiscalização é feita pelo Corpo de Bombeiros.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Aterramento elétrico

aterramento




Aterramento! Segundo a ABNT, aterrar significa colocar instalações e equipamentos no mesmo potencial de modo que a diferença de potencial entre a terra e o equipamento seja zero. 

Isso é feito para que, ao operar máquinas e equipamentos elétricos, o operador não receba descargas elétricas do equipamento que ele está manuseando.


O que é aterramento elétrico?

Aterrar um dispositivo ou equipamento está relacionado a interliga-lo com a terra propriamente dita ou a uma grande massa que possa a substituir. 

Então quando nos referenciamos a um dispositivo aterrado estamos afirmando que pelo menos um de seus terminais estão propositalmente ligados a terra. 

Um equipamento não necessita possuir aterramento para funcionar (Infelizmente), no entanto, quando nos referimos a um nível de tensão ou de um sistema de comunicação a referencia é na maioria das vezes estamos tomando como referência um potencial “zero”que tradicionalmente é a terra. Imagine então que um objeto sobre a terra está em seu potencial ou seja “Está Aterrado”.

Mas na verdade qual é o objetivo do aterramento?

Podemos pontuar o objetivo do aterramento em três:

Proteção da integridade física do homem
Facilitar o funcionamento de dispositivos de proteção
Descarregar cargas eletrostáticas de carcaças de objetos e equipamentos
Proteção da integridade física



Aterramento - choque elétrico
Fonte: museulight.com.br


É sabido que o principal objetivo do aterramento é garantir a integridade física do homem seja na utilização da eletricidade de forma doméstica quanto no uso profissional. 

A segurança com instalações elétricas é abordado de diversas formas através da NBR 5410 ou mesmo na Norma Regulamentadora NR10 (Conheça mais sobre os assuntos da NR10 Aqui!) que postamos aqui na Sala da Elétrica Anteriormente.

O fato é que um equipamento que não esteja aterrado não consegue se “desfazer” da corrente de fuga e quando um indivíduo entra em contato sofre toda a descarga elétrica da estrutura, já com o aterramento, toda a corrente de fuga é direcionada a terra através dos condutores.

Não podemos esquecer também que toda a instalação elétrica deve estar prevendo este sistema de proteção, inclusive as emendas devem ser sempre muito bem feitas, veja nosso post de emendas: Derivação e Prolongamento.
Facilitar o funcionamento de dispositivos de proteção


Disjuntor


Pense bem! Como funciona os dispositivos de proteção (disjuntores, fusíveis, etc…)? seja por corrente de curto circuito ou sobrecarga eles sempre irão depender do aumento da corrente, logo, se não houver aterramento não existe “vazão”da corrente elétrica, por exemplo: uma geladeira cujo motor está com fuga de corrente e não possui aterramento, a corrente excedente somente será descarregada da carcaça quando um indivíduo estabelecer um contato entre esta e a terra. 

Porém, quando existe o aterramento a corrente elétrica é direcionada a terra e temos o aumento excessivo da corrente causando o acionamento do dispositivo de proteção (seja um fusível. disjuntor,etc…), o seja, facilitando seu funcionamento.

Descargas de cargas eletrostáticasComo sabemos, cargas eletrostáticas são geradas a todo momento seja através do atrito, do caminhar de uma pessoa ou até mesmo reações químicas, porém, nem sempre são notadas, mas este fenômeno pode ser prejudicial ao desempenho de equipamentos eletrônicos e até mesmo para a sua segurança. 

Como Assim? Imagina um caminhão de combustível ao realizar a descarga de gasolina em Posto, se este não possuir um aterramento neste momento corre um sério risco de explosão pois durante a viagem ficou exposto ao atrito com o vento/ar e seus pneus o isolam da terra.


Fonte: http://www.saladaeletrica.com.br

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Para raios irregulares coloca em risco a segurança das obras

O comércio de equipamentos adulterados está se tornando cada vez mais comum no segmento elétrico

Da redação


Divulgacao

O comércio de equipamentos que não atendem as normas obrigatórias está se tornando habitual no setor de instalações elétricas. 

Produtos como cabos de cobre nu, utilizados para instalação de para raios são vendidos fora do padrão, utilizando bitola menor, e, com menos cobre do que deveria conter. 


“Ao que tudo indica, alguns fabricantes estão reduzindo a bitola especificada de alguns cabos para economizar cobre e ter uma vantagem competitiva ilegal”, comenta Adhemar Carmardella Sant’Anna, presidente da empresa de fios e cabos elétricos IPCE. 

Os produtos desenvolvidos fora de especificação provocam sérios riscos de segurança à instalação e para o consumidor. 

Outra problemática é a concorrência desleal que está atitude provoca, visto que os produtos fabricados conforme as normas, geralmente, possuem o custo maior que os demais equipamentos. 

Para acabar com o problema, Sant’Anna acredita que a fiscalização realizada pela Prefeitura para liberar o habite-se de uma obra deveria verificar a bitola dos para raios instalados, fiscalizando se estão de acordo com o que foi especificado pelo engenheiro.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

NR-35 Norma que regulamenta trabalho em altura entra em vigor

NR-35 prevê gestão com planejamento, organização e adoção de medidas para evitar acidentes
Aline Rocha



A Norma Regulamentadora nº 35, que trata do trabalho em altura e define requisitos para proteção dos trabalhadores, começou a valer a partir desta quinta-feira (27). 

O texto foi publicado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em março deste ano.

As empresas tiveram seis meses para se adaptar às exigências da NR-35. Uma das novidades é que o novo texto possui obrigações que alcançam empresas de todos os setores, além da própria construção civil. Entre eles, estão os segmentos de telecomunicações e energia elétrica.

A NR-35 tem o objetivo de fazer com que as empresas adotem uma gestão de trabalho em altura, que envolva planejamento, organização e adoção de medidas técnicas para evitar acidentes ou minimizar as consequências das quedas de altura. 

A gestão deve envolver, além da análise de risco da atividade, um programa de capacitação.

Como o prazo previsto para adaptação chegou ao fim, os auditores fiscais do trabalho começarão a inspecionar estabelecimentos pra verificar o cumprimento da norma regulamentadora. 

O descumprimento das obrigações pode gerar autos de infração ou, em casos mais graves, interdição do local. A multa varia entre R$ 402,23 e R$ 6.078,09, dependendo da gravidade da infração e do porte da empresa.

De acordo com o MTE, o capítulo 3 e o item 35.6.4 só passarão a valer no dia 27 de março de 2013. 

A íntegra da NR-35 está disponível no site do Ministério do Trabalho. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CONGRESSO PARA PROFESSORES ABORDA A SEGURANÇA NO USO DA ELETRICIDADE

A terceira edição do ENADSE (Encontro Nacional Abracopel de Atualização Docente em Segurança com Eletricidade) pode ser resumida em uma palavra: sucesso! 

O evento é organizado pela Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) e conta com o apoio do Projeto Leonardo Energy.



Realizado entre os dias 20 e 24 de agosto, o congresso reuniu quase cem professores de onze Estados (RS, PR, SP, RJ, MG, BA, DF, PI, MA, TO, AM), a maior parte de unidades do Senai, dos institutos federais de ensino e das escolas do Centro Paula Souza.

A programação abordou temas como média tensão, perícia em fraude, o novo texto da NBR 5419 (SPDA), proteção contra sobretensões transitórias, NR-20 e áreas classificadas, linhas elétricas e normalização, entre outros. 

As palestras foram ministradas por especialistas e em cada dia houve também apresentações de produtos e mini cursos práticos oferecidos pelas empresas e entidades apoiadoras (3M, ABPEx, Brady, CPFL, Daisa, Editora Erica, Fastweld, Finder, Legrand, Minipa, Obo Bettermann, Portal Voltimum, Procobre, Revista O Setor Elétrico, Schneider e Sindicel).

O Canal Linha Viva cobriu o evento e organizou uma divertida gincana que movimentou a manhã de quinta-feira. 

Nas noites, jantares especiais para a confraternização dos participantes.

“Comemoramos a missão cumprida. Certamente atingimos o nosso objetivo maior, que foi o de multiplicar informações de segurança em eletricidade para um público altamente crítico e formador de opinião: 

o professor”, avalia Edson Martinho, diretor-executivo da Abracopel.

Confira fotos e informações sobre o dia a dia do evento no blog da Abracopel.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Raio ascendente é registrado em São Paulo durante o inverno

Agência FAPESP – Pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram um raio ascendente em São Paulo durante uma tempestade de inverno.


Descargas atmosféricas que partem do solo e se propagam em direção a nuvens foram registradas pela primeira vez no Brasil este ano (Elat)

No início do ano, os pesquisadores do Elat registraram pela primeira vez imagens desse tipo de raio no Brasil que, em vez de descer das nuvens e atingir o solo – como ocorre com a maioria das descargas atmosféricas –, parte de algo na superfície e se propaga em direção à nuvem.

Recentemente, registraram durante uma tempestade de inverno mais um raio ascendente, que partiu de uma das torres de telecomunicações instaladas no Pico do Jaraguá, em São Paulo. 

O que chamou a atenção dos pesquisadores foi a quase total ausência de raios durante a tempestade que gerou o raio ascendente.

“Foi uma sorte registrar esse raio ascendente, pois não havia nenhum indício de atividade elétrica na nuvem”, disse Marcelo Saba, pesquisador do Elat e responsável pelas observações.

De acordo com Saba, a constatação revelou, de forma inédita, que, mesmo na ausência de raios descendentes – que descem das nuvens e atingem o solo –, os raios ascendentes podem acontecer.

Mais informações: www.inpe.br/elat

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A cada dois dias, uma pessoa morre por choque elétrico em São Paulo

Em 2010, último dado consolidado disponível, foram registrados 167 óbitos. Das 1.225 hospitalizações registradas em 2011, 77% eram masculinas.

SXChu

Secretaria de Saúde de SP  Levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que praticamente a cada dois dias, em média, uma pessoa morre em decorrência de descarga elétrica em todo o Estado. 

Em 2010, último dado consolidado disponível, foram registrados 167 óbitos. Destes, 157 eram homens (94%), com idade entre 30 e 49 anos (81 casos). Os homens também lideram o ranking das internações provocadas por contato a corrente elétrica. 

Das 1.225 hospitalizações registradas em 2011, 77% eram masculinas. De acordo com o supervisor médico do Grupo de Resgate e Atendimento a Urgências (Grau) da Secretaria, Gustavo Feriani, a realização das atividades laborais é a principal razão para que a maioria das vítimas seja masculina. 

"Os homens fazem serviços de obras ou reparos em domicílio, muito próximos à rede elétrica. 

Na grande maioria das vezes, infelizmente, sem equipamentos de proteção ou cuidados específicos para essa atividade", explica Feriani. 

Além disso, houve um crescimento de 91% dos casos de internação por conta à exposição à corrente elétrica nos últimos quatro anos. 

Em 2008, foram 642 registros de hospitalização. Em 2009 houve 1.004 internações e, em 2010, 1.031 hospitalizações. Nestes últimos quatro anos, a região de Piracicaba é a que mais acumulou casos de internações (2.584), seguida da Grande São Paulo (762) e de Sorocaba (105). 

Os municípios que mais contabilizaram hospitalizações neste período foram Piracicaba (2.104), São Paulo (457) e São Pedro (164), também localizado na região de Piracicaba. 

Segundo o supervisor médico do Grau, em muitos casos, a pior lesão não é a que está visível, uma vez que a corrente elétrica passa pelos tecidos com menor resistência, causando maior impacto nos músculos, nervos e vasos. 

"A vítima pode ter arritmia cardíaca grave causada pelo choque, destruição muscular grave, queimaduras de pele nas áreas de entrada e de saída da corrente elétrica pelo corpo e, tardiamente, insuficiência renal aguda e até morte", afirma Feriani. 

Para o especialista, toda queimadura elétrica, mesmo as causadas por baixa voltagem, necessita de avaliação e cuidados médicos.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Norma regulamentadora de trabalho em altura é aprovada

NR 35 estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para trabalhos acima de 2 m do nível inferior
Da Redação




Foi publicada no Diário Oficial da União de ontem (27) a Portaria nº 313, que aprova a Norma Regulamentadora nº 35 de trabalho em altura, definido como toda atividade executada acima de 2 m do nível inferior onde haja risco de queda. A Norma estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho em altura, envolvendo seu planejamento, a organização e a execução.

A norma também faz referência às responsabilidades do empregador e do trabalhador. Caberá ao empregador a promoção de um programa para capacitação dos trabalhadores que realizem trabalho em altura.

Segundo a norma, trabalhador capacitado para o trabalho em altura é aquele que foi submetido e aprovado em treinamento, teórico e prático, com carga horária mínima de oito horas. O conteúdo deve, no mínimo, incluir normas e regulamentos aplicáveis ao trabalho em altura, análise de risco e condições impeditivas, equipamentos de proteção individual, acidentes típicos e condutas em situações de emergência.

Caberá ao empregador avaliar o estado de saúde dos trabalhadores que exercem atividades em altura, além de garantir a implementação das medidas de proteção estabelecidas na NR 35 e desenvolver procedimentos para as atividades rotineiras de trabalho em altura.

Já o trabalhador terá a obrigação de cumprir as disposições legais e regulamentares sobre trabalho em altura, inclusive os procedimentos expedidos pelo empregador. Deverá também colaborar com o empregador na implementação da Norma, zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser afetadas por suas ações ou omissões no trabalho e também poderá exercer o direito de recusa à atividade sempre que se constatar evidências de riscos a si ou a outros.

As obrigações gerais da NR-35 entram em vigor seis meses após sua publicação. A obrigatoriedade de treinamento e capacitação ofertadas pelo empregador entram em vigor daqui a 12 meses.

A portaria traz também a criação da Comissão Nacional Tripartite Temática (CNTT) da NR-35, com o objetivo de acompanhar a implantação da nova regulamentação.

A íntegra da portaria encontra-se disponível aqui.


quinta-feira, 1 de março de 2012

ELAT / INPE divulga imagens dos primeiros raios ascendentes registrados no Brasil

Escrito por Administrator

 
O Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) capturou pela primeira vez imagens de raios ascendentes no Brasil. 
Quatro raios ascendentes que tiveram início a partir de uma das torres situadas sobre o Pico do Jaraguá, na cidade de São Paulo, e foram registrados em um intervalo de apenas vinte minutos. Eles foram gravados com uma câmera rápida de velocidade de 4000 quadros por segundo. Estas observações poderão contribuir para aperfeiçoar as normas de proteção contra raios no país.

“Esta é a primeira comprovação de ocorrência de raios deste tipo no Brasil”, afirmou Marcelo Saba, pesquisador do ELAT e responsável pelas observações.O registro de quatro raios ascendentes também foi algo que chamou a atenção dos pesquisadores. Este é um número muito alto ainda mais quando considerado o pequeno intervalo de tempo.

Para se ter uma noção comparativa, no Empire State Building, que foi construído com mais de 100 metros na cidade Nova York, ocorrem em média 26 raios ascendentes por ano.A grande maioria dos raios (99%) é nuvem solo, ou seja, raios que se originam nas nuvens e chegam ao chão. Apenas 1% dos raios é ascendente - partem de algo na superfície. Esses percentuais apenas se alteram em locais específicos, construções muito altas, onde o número de raios ascendentes pode superar os raios nuvem solo.


“Esta é a primeira comprovação de ocorrência de raios deste tipo no Brasil”
Marcelo Saba, Pesquisador do ELAT

Os raios ascendentes são em geral artificiais, no sentido de responder às alterações ambientais produzidas pela atividade humana. Eles se originam devido a construções elevadas, como torres de telecomunicação, ou pára-raios de edifícios altos.Os pesquisadores afirmam que estudos poderão estimar qual a freqüência e quais as condições (como a altura das estruturas e os tipos de nuvens e tempestades) para que o fenômeno ocorra. 
A pesquisa também poderá aprimorar os sistemas de detecção de descargas atmosféricas que monitoram a incidência de raios no Brasil. Em alguns países, como o Japão, raios ascendentes têm trazido grandes prejuízos quando atingem turbinas de geração eólica, e em um cenário em que este tipo de geração de energia tem grandes chances de expansão e aplicação no Brasil, torna-se relevante intensificar as pesquisas no país que apresenta a maior incidência de raios do mundo.

Poucos países possuem imagens deste fenômeno, entre eles os EUA, o Canadá, o Japão e a Áustria. Ainda assim, há pouco conhecimento sobre a física e as características dos raios ascendentes, o que torna este registro ainda mais importante para as pesquisas.

A equipe do ELAT responsável por este estudo é composta pelo pesquisador Dr. Marcelo Saba e os mestrandos Carina Schumann e Jeferson Alves.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Abracopel é destaque na 1ª Semana de Conscientização dos Riscos no uso da eletricidade da PETROBRAS

A Abracopel, nas pessoas de seu diretor executivo Edson Martinho e seu diretor educacional, Fabio Costa (Tio Fio), foram o destaque da 1.a Semana de Conscientização dos Riscos no Uso da Eletricidade, na Refinaria Abreu e Lima da Petrobras, em Porto Suape, município de Ipojuca em Pernambuco.

A Refinaria Abreu e Lima, localizada no município de Ipojuca (região metropolitana de Recife) será a primeira refinaria de petróleo inteiramente construída com tecnologia nacional. A Petrobras considera que essa refinaria será a mais moderna já construída em território nacional, pois será a primeira adaptada a processar 100% de petróleo pesado com o mínimo de impactos ambientais e produzir combustíveis com teor de enxofre menor do que o exigido pelos padrões internacionais mais rígidos.

Foram cinco dias de palestras técnicas e lúdicas, onde os profissionais que trabalham para os diversos consórcios que compõem a plataforma de construção da Refinaria. As palestras versaram sobre riscos no uso da eletricidade, onde nosso diretor educativo, Tio Fio passou o recado de forma lúdica e divertida, normas regulamentadoras, em especial a NR-10, cujo palestrante foi nosso membro do Conselho Consultivo e ‘pai’ da NR-10, José Barrico e Serviços e Procedimentos de Instalações Elétricas Seguras proferida pelo Eng. Edson Martinho.

A integração entre os profissionais que lá trabalham e nossos palestrantes foi total e, segundo a Petrobras, durante os cinco dias tivemos cerca de 5 mil participantes entre eletricistas, ajudantes, engenheiros e técnicos da fiscalização e das contratadas na área de elétrica.

Os responsáveis pela obra da Refinaria ressaltaam o compromisso e empenho na condução do evento ressaltando a fase da obra e a necessidade da conscientização da força de trabalho sobre os cuidados nas atividades envolvendo eletricidade.

Para a equipe envolvida na organização do evento o resultado foi extremamente satisfatório, considerando a participação e envolvimento das contratadas.

Sucesso total e a certeza de que lá voltaremos para realizar mais uma série de palestras de conscientização.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Chuva com raios e trovoadas



A chuva, este ano, não está dando trégua.

Todos os dias, pelo menos aqui em São Paulo e em Indaiatuba, cidade que eu moro, tem chovido muito.

E chuva muito forte, com raios e trovões.

Li que este ano nas regiões centro-oeste, sul e parte do sudeste (o qual estamos incluídos) a quantidade de raios aumentou muito e com este tipo de fenômeno não se brinca.

Há duas semanas tive minha TV e o modem do meu computador queimados por raio. Eles estavam desligados, porém eu não havia tirado o plug da tomada. Agora, antes de sair, tiro todos os eletroeletrônicos da tomada, só deixando a geladeira ligada.

Acho importante compartilhar este ocorrido para que vocês possam orientar seus filhos e or professores orientarem seus alunos sobre alguns cuidados que se deve ter durante o temporal.

Falar ao telefone durante a tempestade deve ser evitado, bem como jogar videogames ou qualquer outra atividade que utilize aparelhos elétricos.

Outra orientação importante é para o caso da pessoa estar na rua no momento da tempestade. Ficar perto de árvores é um perigo, pois elas agem como pára-raios. O melhor a fazer quando estiver na rua é entrar em algum estabelecimento comercial e ficar lá até os raios diminuírem.

Andar de bicicleta ou moto também é muito perigoso, pois o condutor é que age como pára-raio. Então, o melhor a fazer é se abrigar até a chuva passar.

Se as crianças estiverem brincando na piscina quando os raios começarem, tire-os imediatamente, pois segundo Francisco Sevegnani, chefe do Departamento de Física da PUC-SP a pessoa ficando com parte do corpo para fora da água atrai o raio por age como pára-raio além do que, o cloro é condutor de eletricidade, assim sendo, um raio ao cair em qualquer parte da piscina, a descarga elétrica atingirá o nadador.

O mesmo cuidado deve ser tomado em relação ao mar, a areia da praia e aos rios.

Veja a relação abaixo sobre os cuidados em caso de tempestades

O que você deve fazer dentro de casa

Não tome banho durante as tempestades.

Não use chuveiro ou torneira elétrica.

Evite contato com qualquer objeto que possua estrutura metálica, tais como fogões, geladeiras, torneiras, canos, etc.

Evite ligar aparelhos e motores elétricos, para não queimar os equipamentos.
Afaste-se das tomadas e evite usar o telefone.

Desconecte das tomadas os aparelhos e eletrônicos tais como televisão, som, computadores, etc.

Permaneça dentro de sua casa até a tempestade terminar.

Desligue os fios de antenas dos aparelhos.

O que você deve fazer fora de casa.

Evite contato com cercas de arame, grades, tubos metálicos, linhas telefônicas, de energia elétrica e qualquer objeto ou estrutura metálica.

Afaste-se dos seguintes locais:

tratores e outras máquinas agrícolas;

motocicletas, bicicletas e carroças;

campos abertos pastos, campos de futebol, piscina, lagos, lagoas, praias, árvores isoladas, postes, mastros e locais elevados;
 
Permaneça dentro de seu veículo caso o mesmo tenha teto de estrutura metálica.

Estes cuidados preventivos devem fazer parte da orientação de toda família. Com as alterações climáticas que vêm ocorrendo, todo cuidado é pouco.

O melhor a fazer durante a chuva é brincar de STOP, jogos de tabuleiro, Imagem e Ação e tantas outras brincadeiras que além de divertir promove a interação entre o grupo.
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Ranking de cidades com mais raios

Agência FAPESP – O Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), concluiu o novo ranking de incidência de raios nos municípios pertencentes aos estados cobertos pela Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas no biênio 2009-2010. 
 
Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe divulga 
nova lista de incidência de raios no Brasil (Elat)

De acordo com o Elat, os dados reforçam pesquisas anteriores que indicam que grandes centros urbanos tendem a intensificar a ocorrência de tempestades.

Para toda a área monitorada, que engloba os estados do Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste do país, a incidência de raios no último biênio se manteve estável em relação aos biênios anteriores, com variações inferiores a 5%. Entretanto, considerando somente as cidades acima de 200 mil habitantes – que possuem maior urbanização – houve um aumento de 11% em relação à média dos dois últimos biênios.

“Tanto essas cidades têm mais tempestades, quanto elas estão, também, cada vez mais intensas, e a urbanização pode ser apontada como uma das principais responsáveis", disse o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior.

Os resultados apontam que, em 2009-2010, os dez municípios com maior incidência estão localizados na região metropolitana de São Paulo e no sul do estado do Rio de Janeiro – com exceção de Belford Roxo.

“A presença das cidades do sul do Rio de Janeiro entre os dez municípios de maior incidência de raios se deve às características locais de relevo”, explicou Pinto Júnior.

A cidade fluminense de Porto Real aparece em primeiro lugar no ranking geral, com uma densidade de 27 raios por quilômetro quadrado por ano, seguida por São Caetano do Sul, em São Paulo, com 23 raios por quilômetro quadrado por ano.

“A ocorrência de tempestades possui uma variação espacial muito grande e, por isso, municípios menores têm maior chance de apresentar altos valores de densidade”, afirmou o pesquisador.

Em cidades grandes – com mais de 900 km2 – o máximo de aumento registrado foi de 97%. Já os municípios menores do que 100 km2 sofreram aumentos de densidade que chegaram a 320% no último biênio quando comparado com a média dos dois anos anteriores. Em São Paulo, o aumento foi de 42%.

O novo ranking foi feito com base em dados corrigidos pelo modelo de eficiência da rede denominado MED4, recém-desenvolvido pelo grupo, que é um dos mais precisos existentes no mundo para correção de dados de redes de detecção. O MED4 permite corrigir diariamente os dados da rede em função da intensidade das descargas que ocorrem numa determinada região.

O modelo é mais robusto que as versões anteriores utilizadas nos rankings de 2005-2006 e 2007-2008. “Os novos dados de densidade de raios são ainda mais confiáveis com o uso do modelo desenvolvido pelo Elat”, disse Pinto Júnior.

De acordo com ele, os resultados encontrados podem contribuir diretamente com a prevenção e proteção, assim como gerar informações úteis para o setor elétrico e, consequentemente, para a sociedade. 
 
O novo ranking está disponível em www.inpe.br/elat, no link “Ranking de Municípios”.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Como evitar surtos de energia em plantas industriais

Alta voltagem








Um pico de tensão é uma explosão momentânea e extrema de eletricidade em um circuito elétrico.
Os picos de tensão são eventos breves que raramente duram mais de alguns microssegundos, mas são o suficiente para criar um grande problema nas plantas industriais, especialmente nas linhas de montagem automatizadas. Nos sistemas de automação industrial, em que vários dispositivos diferentes precisam trabalhar juntos para manter as operações normais e nos sistemas mais complexos, é preciso saber como evitar os surtos de energia em plantas industriais, pois até mesmo os eventos aparentemente pequenos como os picos momentâneos podem acarretar consequências graves.
Computadores e equipamentos de comunicação são componentes essenciais de muitos sistemas de automação modernos, no entanto, eles também são particularmente suscetíveis a surtos de energia e picos de tensão e de corrente, porque geralmente têm baixa rigidez dielétrica. Nestes sistemas, os servidores de dispositivo serial são passagens fundamentais de comunicação que ligam a rede com específicos dispositivos seriais. Uma oscilação de energia causa danos entre este elo de comunicação, o que será prejudicial em todo o processo.

O que causa surtos de energia?

Um pico de tensão é uma explosão momentânea e extrema de eletricidade em um circuito elétrico. Esse pico de energia pode ser de curta duração, mas mesmo assim pode ser forte o suficiente para causar danos à parte eletrônica de um equipamento, por exemplo. Existem muitas fontes potenciais de picos de energia, e duas das mais comuns são raios ou relâmpagos e surtos de manobra.

Relâmpago

O relâmpago cria descarga elétrica substancial no local onde ele incide. Quando a descarga elétrica atinge um edifício diretamente, pode claramente colocar em perigo todo o sistema elétrico, mas também existem outras maneiras por meio dos quais os relâmpagos podem provocar uma onda de energia. Por exemplo, quando um raio atinge uma linha de transmissão de energia, os efeitos geram efeitos igualmente perigosos aos casos de descargas de tensão a quilômetros de distância.

O relâmpago é uma ameaça sempre presente de sistemas eletrônicos sensíveis. Obviamente que os relâmpagos são mais comuns em algumas regiões do que em outras. No entanto, mesmo em locais de menor ocorrência, o relâmpago apresenta um risco significativo e as suas consequências não devem ser subestimadas.

Surtos de manobra


Existem muitas falhas em equipamentos elétricos que podem levar a surtos de energia. Exemplos disso são disjuntores desarmados, curto circuito, ou mesmo transições de energia, que podem criar surtos de manobra. Estas irregularidades elétricas muitas vezes são originadas por falha humana; em outros casos, os danos são provocados por um relâmpago. Uma subestação de energia de grande porte que regularmente têm ciclos de on e off gera surtos de manobra suficiente para ameaçar os dispositivos eletrônicos mais sensíveis.

Renata Branco

terça-feira, 29 de março de 2011

Medições de continuidade elétrica em descidas estruturais de para-raios

Por George Schoenfelder e Sérgio Cabral

Ensaios de medição são fundamentais para se comprovar a eficácia de Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) estruturais, garantindo assim a continuidade elétrica em pilares, vigas e lajes.

A idéia de se utilizar a ferragem do concreto armado com a finalidade de condução e dispersão para corrente de raios em descidas foi consequência do uso dessas mesmas estruturas metálicas em sistemas de aterramentos. Historicamente, a primeira utilização conhecida das ferragens do concreto armado para fins de aterramento data da Segunda Guerra Mundial, quando o engenheiro Herb Ufer idealizou um sistema para depósitos de bombas de uma base aérea, com o objetivo de protegê-los contra descargas atmosféricas e eletricidade estática. Após anos, Ufer inspecionou novamente as instalações e chegou à conclusão de que eletrodos de aterramento utilizando armaduras de concreto resultavam em uma resistência de aterramento mais robusta e ainda com menor valor quando comparados às resistências compostas por somente hastes, especialmente em regiões de solos com valores relativamente altos de resistividade. Por causa dessa descoberta, o uso de armaduras e/ou cabos e hastes inseridos nas fundações é também conhecido por aterramento ufer.
Como a experiência mostrou que os resultados estavam de acordo com o esperado, passou-se então a também utilizar a ferragem estrutural como subsistema de descida. No Brasil, a utilização do SPDA estrutural é orientada pela norma ABNT NBR 5419 desde 1993, sendo que, em outros países, a normalização já vem sendo utilizada há décadas.
De acordo com a última revisão da ABNT NBR 5419, de 2005, existem duas opções para esse sistema. A primeira consiste em simplesmente usar as ferragens do concreto armado como descidas naturais, desde que garantida a continuidade elétrica da ferragem dos pilares, verticalmente. A segunda opção, à qual a norma dedica um anexo específico para sua descrição e exigências, faz uso de uma barra de aço galvanizada a fogo adicional às ferragens existentes. Essa barra tem a suposta função específica de garantir a continuidade desde o solo até o topo do prédio. A utilização dessa barra adicional, comercialmente conhecida como re-bar (do inglês Reinforcing Bar), é defendida por profissionais que instalam SPDA com base na dificuldade do empreiteiro da obra civil em garantir a continuidade elétrica vertical das ferragens, já que não existe essa preocupação durante o processo da construção civil, uma vez que a continuidade elétrica não é necessária em termos estruturais. Também a adição de re-bars às ferragens estruturais, conforme previsto no Anexo D da ABNT NBR 5419, tem o objetivo de concentrar nela a maior parcela da corrente da descarga, poupando as ferragens estruturais do fluxo desta corrente. Entretanto, ao se levar em conta um efeito eletromagnético conhecido como efeito pelicular, essa ideia parece ser pouco efetiva, visto que a corrente impulsiva da descarga tende a fluir pelas ferragens periféricas, que são justamente as estruturais da edificação.
Independentemente da utilização ou não da barra adicional, a ABNT NBR 5419 exige que pelo menos 50% dos cruzamentos das barras da armadura, incluindo os estribos, estejam firmemente amarradas com arame de aço torcido. Além disso, as barras na região de trespasse deverão ter comprimento de sobreposição equivalente a vinte diâmetros, igualmente amarradas com arame de aço torcido ou soldadas, ou ainda interligadas por conexão mecânica adequada. Isso se aplica em armaduras de pilares, lajes e vigas. Essas amarrações deverão ser repetidas em todas as lajes, com todos os pilares que pertencem ao corpo do prédio. A execução desse procedimento não gera custos adicionais, pois os arames utilizados são aproveitados de sobras de outras ferragens e a execução demanda pouca mão de obra.
Em termos de aplicabilidade, além de seu óbvio uso com objetivo de se obter as devidas vantagens em construções novas, o uso de ferragem estrutural para descidas pode ser ainda feito em construções em concreto pré-moldado e em edificações já existentes, desde que observadas as devidas e as respectivas ressalvas.
Por sua vez, desde a edição de 2001, a ABNT NBR 5419 passou a contar com o Anexo E (normativo), que descreve metodologia de ensaio de armaduras para verificação da continuidade elétrica das ferragens de um edifício já construído, possibilitando assim o uso desta ferragem como parte integrante do sistema de proteção. Este ensaio, na edição de 2001, previa a verificação da continuidade utilizando uma máquina de solda, além de medições da impedância das ferragens entre alguns pontos da edificação com valores relativamente baixos de corrente, da ordem de 100 A, chegando a um mínimo de 1 A. A edição de 2005 trouxe como mudança neste anexo a retirada da máquina de solda para fazer testes de continuidade de estruturas de concreto armado, muito utilizado por profissionais, porém não adequado para esta medição. A partir deste momento passou-se a indicar a utilização de um microhmímetro.
Ainda assim, existem críticas severas ao Anexo E da norma. As principais referem-se ao fato de que, com os testes descritos nele, não é possível garantir as exigências da IEC 61024, na qual a própria ABNT NBR 5419 é baseada.
O ensaio de continuidade das armaduras deve ser realizado com equipamento capaz de injetar corrente mínima de 1 A entre os pontos extremos da armadura (entre a parte superior e a parte inferior da estrutura, procedendo a diversas medições entre pontos diferentes), medindo simultaneamente esta corrente e a queda de tensão entre os dois pontos. A resistência resultante da divisão do valor de tensão pelo valor de corrente deve resultar em, segundo a ABNT NBR 5419, inferior a 1 ?. A medição deve ser realizada utilizando a configuração de quatro fios, sendo dois para corrente e dois para potencial.
Em termos práticos, a realização desse ensaio de continuidade não é tarefa das mais simples, deixando de ser exigido em algumas situações. Por isso, com o intuito de contribuir com o tema, os autores apresentam neste trabalho dados referentes a um experimento realizado em obra de construção de um prédio habitacional em Blumenau (SC). Este trabalho está baseado em um trabalho mais amplo, apoiado pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB). As experiências relatadas no presente trabalho podem contribuir para outras medições em diversos locais do País.
Ensaio de continuidade elétrica em estrutura de concreto armado de um edifício em construção, conforme o “Anexo E” da ABNT NBR 5419:2005
Com o intuito de verificar na prática como se constitui o sistema de SPDA Estrutural, realizou-se essa medição em visita a um prédio em construção que utiliza o referido sistema. O prédio em questão possui dois pavimentos de garagem e dez pavimentos, totalizando uma altura de 40 metros até o topo da caixa d’água. Para a realização da medição, por não se tratar do seu objetivo, não foram envolvidos todos os subsistemas que compõem o SPDA. Somente o subsistema de descida, que neste caso utiliza a ferragem estrutural como meio de condução da corrente de descargas atmosféricas da captação para o aterramento, permitido pela ABNT NBR 5419, foi analisado e ensaiado.
A construtora responsável pela obra utiliza as ferragens estruturais como subsistema de descida há alguns anos por dois motivos principais: economia e ganho estético. Conforme verificado no local em outra ocasião e ilustrado nas Figuras 1, 2 e 3, a ferragem estrutural é conectada entre si por meio de solda elétrica. As soldas são realizadas no trespasse das ferragens horizontais de cada pavimento e das ferragens dos pilares, bem como com a malha de ferro da laje. As emendas entre barras horizontais também são realizadas via solda. Dessa forma, tem-se a garantia da continuidade elétrica e da equipotencialização da estrutura.

Figura 1 - Solda entre a ferragem vertical na mudança de pavimento da prumada de coluna e a ferragem horizontal. 

Figura 2 - Emenda com solda da ferragem horizontal.

Figura 3 - Solda entre ferragem vertical, horizontal e a malha de ferro da laje. 

Figuras 4.a (superior) e 4.b (inferior) - Conexão com os cabos de cobre de cobertura.

Figura 5 - Cabo de cobre soldado à ferragem de uma coluna, não interligado à malha da terra.
 
Figura 6 - Cabo conectado a uma hasta dentro de uma caixa de inspeção


Figura 7 - identificação dos pontos de conexão na cobertura: (1) fachada principal, (2) fachada oposta, (3) e (4) sobre a caixa d'água

Figura 8 - Equipamentos utilizados.